segunda-feira, 6 de abril de 2009

Sinestesia azul

se eu disser que
foram os teus olhos
que primeiro me tocaram,
me beijaram e me cegaram,
compreenderias?

tens o azul claro que sorri
deixando escapar
todo o perfume que vem da alma.
como não se render a este orgasmo?

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Revolução

cada vez que releio
o que escrevi outrora
percebo - sem surpresa -
o quanto mudei
sem deixar de ser a mesma.

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Montanha

mais que o cume
o que importa é o caminho.

Caqui

a fruta que se divide
entre a minha e a tua boca
tem textura que provoca
e mordida que arrepia

mas, como as ondas
e o desejo,
vem e vai.

sábado, 12 de abril de 2008

Labirinto

Ainda que olhos atentos
tivesses,
não terias o olhar de rapina,
amplo e penetrante.

E ainda que
rapina humana fosses,
não terias as asas e o vôo,
e do chão são sairias.

E mesmo se
aprendesses a voar...

Bom, se aprenderes a voar,
tiveres olhar de rapina e puderes
sobrevoar este labirinto...
aí sim!

Seguirás teu vôo pleno
sem se preocupar com a saída
de um labirinto estúpido
construído por homens.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Meditação

A chuva fina,
as nuvens claras,
a vista limpa.

Quão delicadas
as gotas que
tocavam o mundo
na manhã sem sol.

Deu vontade de aspirar
toda aquela graça
E carregar comigo.

Como se fosse caramujinho
que a gente colhe no jardim
quando criança
e põe no bolso.

sábado, 15 de março de 2008

Insensível

despedaça

peça

despeça

e esqueça.

segunda-feira, 10 de março de 2008

Avesso

Um belo dia, acordei com todas as entranhas expostas.

Passado meu próprio estranhamento, saí à rua.

Incrivelmente ninguém pareceu chocado


com a pornografia de minhas vísceras.


Ora, o mundo é muito ocupado para chorar mortos


e acudir feridos.




Déjà vu

ombros nus,
frios.

a textura que só a língua
é minimamente sensível
para apreciar.

e de novo
aquele cheiro bom

de tempo que não volta mais,
mas ainda está.

domingo, 2 de março de 2008

Remendos

Se este decifrar é lento,
posso levar uma vida toda nisso.
Marilá Dardot


Olhos e bocas tentam me censurar
- na melhor das vezes me questionam.

Mas eu, que sou toda experiência
(ou pretendo ser),
e inspiro cada vontade nova
como a cada sopro de ar,
só digo: 'estou continuando'.

Não sei onde enxergam
a ruptura ou a desistência,
a rebeldia ou o arrependimento.

Imensamente maravilhada,
um pouco no escuro, sim
vou tecendo e desfiando
e construindo e desfazendo.
Sem pressa.